Eu sou meio assim, meio de sol, meio de lua, mas ai depende. Depende de como eu adormeço de dia, e amanheço a noite.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Saudade de ...

Hoje eu amanheci com uma saudade de ver felicidade nas coisas mais simples; como quando sentia o cheiro de chuva na terra, o barulho da chave no portão e o latido do cachorro na porta. Saudade de correr descalço no quintal, de dançar na sala em cima dos pés do meu tio, saudade de quando é do fim de tarde, o céu fica laranja e a gente pensa que a noite vai fazer frio, saudade de querer saber onde termina o arco-íres, saudade de cochichar com um amigo, de mandar cartas, de abraçar que já se foi e de se sentir desconcertado e sem lugar quando se está apaixonado.

A saudade é um sentimento inexplicável. Sentir saudade, ou melhor, viver saudade é um dos sentimentos mais bonitos e puros, porque nem sempre sentimos saudade apenas do que queremos. Ela é capaz de ressuscitar quem o e quem a gente achava que estava morto há muito tempo. Mesmo que isso seja no coração, ainda assim será sempre bom.

Assim como o amor, só quem tem saudade de verdade sabe com ela é.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Em clima de Natal


St. Patrick's Day
John Mayer

Chegou o frio.
Tire as roupas de inverno do armário
E encontre um amor para chamar de seu.
Você... você chega.
Suas bochechas uma sombra cor-de-rosa
E o resto de você um pó azul
Quem sabe, o que vai ser?

Mas eu vou te fazer essa garantia
De nenhuma maneira novembro verá nosso Adeus
Quando chega dezembro é óbvio o porque
Ninguém quer ficar sozinho no Natal

No escuro, no telefone,
Você me diz os nomes dos seus irmãos
E as suas cores favoritas...
Estou aprendendo sobre você.
E quando, nevar novamente
Nós caminharemos na rua
E procuraremos no céu, como as crianças fazem (Eu tedirei)

De nenhuma maneira novembro verá nosso Adeus
Quando chega dezembro é óbvio o porque
Ninguém quer ficar sozinho no Natal.
Em janeiro, estamos congelados por dentro.
Fazendo novas determinações centenas de vezes
Fevereiro pode ser meu mês de namorar?
E ambos estaremos seguros até o dia de São Patrick.

Nós deveriamos passear pela cidade essa noite
E olhar ao redor todas as lindas casas.
De alguma maneira uma luz azul nessa noite escura
Pode fazer você se sentir melhor
Todos me parecem
Que querem apenas ser, como você e eu
Ninguém quer ficar sozinho no Natal.
Em janeiro, estamos congelados por dentro.
Fazendo novas determinações centenas de vezes
Fevereiro pode ser meu mês de namorar?
E ambos estaremos seguros até o dia de São Patrick.
E se nós sempre dermos tudo de nós
E algum dia, estará ausente
Eu estarei bem... se for justo até o dia de SãoPatrick.

***

No way November will see our goodbye
When it comes to December it's obvious why
No one wants to be alone at Christmas time
And come January we're frozen inside
Making new resolutions a hundred times
February, won't you be my valentine?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O bom e velho Noel de um novo Natal

Um Feliz Natal cheio de paz e amor para todos

Perfil:
O olhar terno atrai, a robustez não me é estranha, a voz mansa e forte chega a ser quase reconhecível, até parece que ele saiu do mais profundo do meu imaginário só para se personificar em mais um final de ano. São 17h; final da tarde de um sábado, mas não é de um sábado comum, pelo menos para mim não.
Hoje é o primeiro sábado de dezembro e a primeira vez que vou conversar com um Papai Noel sem que tenha que ser auxiliada por alguma de suas ajudantes que insistem em serem chamadas de “duendes”. Nunca tive uma boa relação com “Papais Noeis”, e confesso que nas fotos que tenho ao lado dele, geralmente estou fugindo ou de cara feia.
Tumulto no shopping, a decoração brilha, enche os olhos. Aproximo-me lentamente como se faltasse coragem para o primeiro contato. Não resisto e recuo, prefiro ficar apenas observando de longe, sento num canto privilegiado, enquanto isso vejo os flashes por trás das minhas costas.
Os pingüins, as árvores enfeitadas com grandes bolas douradas e laços vermelhos fazem uma volta em um pinheiro gigante ao centro; a infinidade de luzinhas azuis deixa os adultos bobos.
Hoje as crianças fazem a festa. Enquanto isso, os pais se desdobram , atendem o celular, cuidam do bebe , vigiam a bolsa e tentam segurar a criança fujona que consegue burlar o cerco e abraçar o bom velhinho outra vez. Nem todos irão tirar foto.
Fico assustada quando chego lá, nunca tinha visto tantas crianças querendo uma foto e um abraço do Papai Noel; e essa façanha não sai por menos de R$ 20,00. Uma ajudante vem e arruma a criança no colo dele, o sorriso tímido na foto parece ter medo. Ele tenta fazer a criança rir, mas quem acaba rindo é ele, o velho ajeita o vestido da menina e pede discretamente que ela feche sua perna; o fotógrafo pergunta se está bom, ele faz um sinal e a foto é batida.
O filho não quer desgrudar do pai ele chora, grita e esperneia, parece não gostar do velhinho, mas a mãe está irredutível, ela quer a foto. Uns aproveitam para realizar seu sonho de infância, então o pai leva as filhas e acaba saindo na foto também.
Sai a criança, ele toma uma água e se ajeita na poltrona, parece que já lhe doem as costas; ele levanta, dá uma andadinha pelo cenário, vem perto de onde estou, me olha, ele me reconhece; parece não acreditar que voltei, mesmo depois de ter marcado há duas semanas, me dá um grande abraço e marca uma outra entrevista . Eu prometo: volto na segunda as18h.
Segunda-feira. Chove exatamente às 18h, tento ir para o shopping, mas não consigo; dentro de casa a ansiedade, e na rua, cai um pé d’água. Quase uma hora depois consigo chegar ao lugar marcado; ele já está rodeado de crianças. Ele abraça, beija dá algumas balas, ouve pedidos inocentes e esperançosos de Natal e apenas sorri.
Ele levanta, vem, me cumprimenta com um abraço e se assenta ao meu lado; acho que agora não tem mais escapatória , começa a entrevista.
O descendente de italiano, Leonardo Tomazzi é do interior de Minas e mora em BH há 60 anos; é casado há mais de 30, tem 11 filhos e já foi comerciante. Há 12 anos foi escolhido por um grupo de amigos para fazer uma apresentação de natal em uma confraternização de fim de ano. A partir desse dia, Leonardo nunca mais deixou de ser Papai Noel. O bendito apelido dado pelos amigos se tornou uma forma de ganhar dinheiro e lutar por uma ideologia.
Hoje, Tomazzi, além de ser o Papai Noel oficial de Belo Horizonte, foi escolhido como o mais parecido Papai Noel da América do Sul. Leonardo é também o Papai Noel da Coca-Cola, faz diversas propagandas para empresas variadas e 10 multinacionais. Seu rosto está estampado em aproximadamente 700 outdoors em todo o Brasil.
Segundo ele mesmo diz, brincando e sorrindo, é Papai Noel 24 horas por dia durante os doze meses do ano, porque além de ser uma satisfação pessoal, ele também é presidente honorário de uma creche no bairro Primeiro de Maio, um dos mais violentos da capital. A creche Dora Ribeiro, que leva o nome de uma senhora de 92 anos, funciona há 42 e é dividida em dois núcleos que atende a 174 crianças da comunidade; dessas, 47 são portadoras de deficiência.
Além da contribuição dada por Leonardo, a creche também conta com a ajuda de 40 voluntários, dentre eles psicólogos, médicos e dentistas que dão assistência gratuita às crianças.
Para ajudar na renda da instituição, Tomazzi está construindo a Vila permanente do papai Noel que será localizada a 30km de BH. Há sete anos, Leonardo vem tentando realizar esse projeto, porém a falta de patrocínio está lhe prejudicando, muitas empresas o procuram exigindo exclusividade de anúncio, mas esse não é o objetivo do projeto. Segundo ele, tudo o que será ganho com a Vila será revertido para os projetos sociais nos quais preside.
Quem vê o rosto do bom velhinho não imagina que o Leonardo Tomazzi tem dois cursos superiores, fala sete idiomas, já morou na Europa, Estados Unidos e Canadá. Ao todo o papai Noel brasileiro conhece 42 países.
Tomazzi passa mais de oito horas diretas dividido entre três shoppings, campanhas publicitárias, sorrisos, abraços, crianças, balas, pedidos e fotos; quase não lhe sobra tempo para se alimentar. Fim de ano é assim mesmo, diz o velho entusiasmado. Parece gostar do que faz.
De todas as suas alegrias e dificuldades ao longo desses anos, a maior delas, é ter que escutar os pedido e não poder realizá-los; mas isso não o desanima, basta apenas ver a alegria e o brilho nos olhos das crianças, e não se precisa ouvir palavra alguma.
Observo as falas do Papai Noel, Leonardo sempre volta no mesmo assunto. Ele fala sobre a carência e a necessidade de se ajudar. Para ele, se você tiver dentro de si o interesse de ajudar alguém, você consegue ajudar, e se hoje começa com uma pessoa, amanhã será duas, depois três, quatro e assim por diante. A tendência é sempre aumentar a corrente.
Antes de finalizar a entrevista, confesso que em meu pensamento houve uma mudança; pedi que o papai Noel deixasse uma mensagem de fim de ano e ele simplesmente disse : “Que os adultos consigam ensinar a essas crianças a importância de se fazer o bem e de ajudar o próximo. O mundo anda carente de paz, amor e de respeito.Eu só desejo que elas tenham paz, segurança, saúde e educação”.
Hoje, parece que papai Noel saiu do meu subconsciente e se personificou nessa figura, acho que ele retornou de um lugar onde eu o havia enterrado desde o dia em que eu descobri que ele não existia.
O olho azul embaçado mostra a idade. As lágrimas correm nos olhos do papai Noel; nos olhos do Leonardo e nos olhos da repórter que burla todas as normas jornalísticas do que é certo e errado, e chora. Esse não foi só mais um perfil, mas uma lição de vida.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Do amor à veneração total

Crônica:
Tu és de todos os meus desejos o mais desejado, de todas as minhas angústias a mais temida, és de todas as minhas faltas a que mais me dói. Dos meus sonhos és o mais doce devaneio de amor, das minhas lágrimas a mais pura e verdadeira. Es a inspiração de todos os meus versos, de todas as minhas canções, és a razão das suaves melodias que as liras, as flautas e as cítaras harmoniosamente oferecem a ti. Tu és minha honra e a minha vergonha, minha glória e decadência, a minha lucidez e a minha loucura.
A beleza e a perfeição foram dadas a ti por herança, por onde pisas nascem flores, pardais e pombas voavam à tua volta velando cuidadosamente pela tua formosura. E nesta de te amar fiz-te ser mais do que és, coloquei-te num pedestal, elevei-te ao céu, donde eu, simples mortal que me fiz, não mais te alcançaria. Dei-te asas da cor de liberdade, pintei teu céu e te mostrei o que era teu. Disse: voa, sê livre, vá para onde queres ir, mas suplico-te, leva-me contigo, deixa-me ter um pouco do que tu tens, deixa-me ser um pouco do que tu és.
Vejo-te em mim, e completo-me em ti. Ah meu amor, não me tires essa ventura, não mudes minha sorte, não me deixes. Não me procures em outros braços, nem de deuses e nem de mortais. Por ti deixaria minha divindade e aceitaria mais uma vez ser jogado do alto Olimpo para ter tua afeição. Eu que te cobri com as melhores e mais lindas jóias do mundo, que fiz teu cinturão mágico do mais fino ouro, não posso deixar de ter-te.
O que te fiz para merecer o que fazes comigo? Será que do Olimpo ainda vês que és a parte mais viva e integrante do meu ser? Será que nunca mais poderei amar-te como amei? Desejar-te como desejei? Será que eu, na minha loucura, te destituí do teu reino da tua glória para dar-te uma glória aquém?
Bem sei que não és mais minha, e que nunca foste. Sei que não mais tocarei teus lindos cabelos da cor de sol e do cheiro de flor, que não mais sentirei o doce gosto de romã que a tua boca tem. Não quiseste o que te dei, será que foi pouco? Será que a minha devoção não te bastou? Eu que te fui fiel, que te dei todos os meus dias e empenhei todo meu apreço mereci o que fizeste comigo?
Oh minha pomba, minha flor de murta, a tua doçura se tornou amarga para mim, por isso dar-te-ei meu fim, meu triste fim, louco e só. Sei que sem ti o que me resta é a morte, mas, quão sublime é o fim dos que morrem por amor e dos que do amor se fazem. Deixa-me pela ultima vez, ó amada; voar contigo, deitar no teu peito, sonhar teus sonhos e morrer nos teus braços.

- Doutor, quem é este?
- Mais um louco que chegou. Este acredita ser Hefesto.
- Mas que Hefesto?
- O ferreiro Divino de Zeus.

Mudança


"Aprendi com a Primavera a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira".

Cecília Meireles



Mudanças no casulo...
nem precisa falar muito né!!!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Sem nome

Você fechou seu olhos querendo lembrar o que ia falar, e eu não conseguia parar de te olhar, reparei como seus traços eram perfeitos, seu nariz, sua boca, sua sobrancelha, sua voz e até a ruga de expressão que se forma levemente na sua fronte é simetricamente perfeita.

Me perco nas minhas palavras e você me traz de volta ao chão, vôo pra um lugar sem lugar e você me dá pouso. Pouso em suas palavras e repouso no paraíso, ao mesmo tempo em que você me puxa pela perna e me traz de volta a terra, ainda assim os seus olhos quando se fecham me dão asas e me levantam do chão. Vôo outra vez.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Maria Rita - Samba meu

Pra declarar minha saudade
Maria Rita

Fiz uma canção
Pra declarar minha saudade
Do tempo em que a alegria dominou meu coração
Eu era bem feliz
Mas desabou a tempestade
Levando um lindo sonho pelas águas da desilusão
Eu fiz uma canção
Pra decalrar minha saudade
Usei sinceridade que
Me dá certeza que você
Quando ouvir
O meu cantar,
Vai se lembrar que deixou
Do lado esquerdo do meu peito essa dor
Que tá difícil de curar
Tenho certeza que você
De onde ouvir
Meu soluçar em forma de uma canção
Vai se lembrar que nosso amor é tão bom
E que pra sempre vai durar

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Que venham as férias

Depois do árduo trabalho, que venham as merecidas férias. E que cheguem com elas as boas noticias, as boas energias, os bons pensamentos, os bons amigos, os bons amores, as boas surpresas, as boas idéias, as boas mudanças, as boas ações e tudo de bom que se pode tirar de um ano bem vivido.
Ainda não é véspera de Natal e muito menos de ano novo, mas esse ano, me deixou com uma sensação de que consegui aproveitar o máximo dele. Aprendi a dar mais valor a vida, ao meu trabalho, ao suor das minhas mãos, aos meus sentimentos, as minhas idéias, mesmo que sejam malucas, ou melhor, diferentes demais. E quem disse que não é bom ser diferente??Que nesse ano que virá eu seja ainda mais diferente, porque ser igual tá mais que fora de moda. Simplesmente não – tem – graça!!! Só mesmo os diferentes que esperam as boas coisas de um ano que ainda nem chegou.
***
Uma observação sobre mim:: Fériassss!!! voltei!!

sábado, 1 de dezembro de 2007

Uma dose de boa poesia ou seria uma boa dose de poesia?

Traduzir-se
Ferreira Gullar
Uma parte de mim é todo mundo
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão:
outra parte estranheza e solidão.
Uma parte de mim pesa, pondera:
outra parte delira.
Uma parte de mim almoça e janta:
outra parte se espanta.
Uma parte de mim é permanente:
outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem:
outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte
que é uma questão
de vida ou morte- será arte?


***
Uma observação sobre mim::
Não preciso falar mais nada...
Ferreira Gullar fala por mim em Traduzir-se