Eu sou meio assim, meio de sol, meio de lua, mas ai depende. Depende de como eu adormeço de dia, e amanheço a noite.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Delicadeza

Dentre tantas e tantas coisas que mais fazem falta nos homens hoje é a tal da delicadeza. Tem gente que diz: Homem que é homem não pode ser delicado, porque isso é coisa de “veado”! Aiiii que bobagem!!! Sinceramente ouvir isso me dá meio que uma revolta interna, e ao mesmo tempo me deixa tão surpresa de ver como nós mulheres não estamos criando ou iremos criar - um dia quem sabe- nossos filhos machos com um mínimo de delicadeza possível.

Antes de tudo, vale lembrar que criar um filho homem com delicadeza NÃO quer dizer que o menino tem que aprender a gostar de brincar de boneca, a vestir rosa, a brincar de casinha a dançar de maneira afeminada e outras coisas e idéias pejorativas que distorcem a real intenção de delicadeza que eu quero dizer.

Eu sou assim, sempre que preciso de uma ajudinha com as palavras recorro ao dicionário, vulgo, pai dos burros. Vamos lá. Um dos significados para DELICADO adj (lat delicatu) é Afável, cortês, elegante. Já a DELICADEZA sf (delicado+eza) quer dizer: Qualidade daquilo que se­ sente e exprime de maneira delicada. Antôn (acep­ção 6): grosseria. Então, equacionando tudo (típico raciocínio de macho), podemos dizer que Educação + Bom Senso + Respeito = DELICADEZA (elegância que nunca sai de moda). Cá pra nós, homem delicado é artigo de luxo. Raridade que não se encontra na pior balada muito menos na igreja, para nossa surpresa, ou não.

Não é à toa que quanto mais eu penso sobre delicadeza, mas me vem em mente o dia em que um ex-namorado me liga – do nada- só para perguntar se eu lembrava o nome de uma mocinha que ele conheceu [e que supostamente teria sido abrigada em sua casa apenas por caridade] durante uma de suas viagens em visita à terra natal. Tirando o fato engraçado de: 1º- Ainda naquela época ele ter me contado a historia achando que eu, como boa cristã que sou, iria aprovar o gesto altruísta. 2º- Lembrar da cara de desapontamento quando eu demonstrei (em gestos e palavras) não ter gostado nem um pouco do ocorrido; 3º - Ele ter me ligado só para perguntar sobre uma coisa que aconteceu a pelo menos 3 anos atrás e achar que eu lembraria como se fosse: O que você comeu no almoço de ontem?

Parece piada, mas não é. NÃO foi nada delicado da parte dele ressuscitar uma defunta que já estava enterrada a tanto tempo. Francamente, cada um que me aparece.

Bem, conhecendo ele, e sabendo como ele é, tenho certeza que amanhã ele vai me ligar como se isso tudo fosse normal e vai perguntar de novo se eu consegui lembrar o nome da sujeita. Tesc, tesc, tesc! Não sei se esse fato foi uma grosseria das brabas ou ingenuidade demais, já que até hoje mantemos uma relação de amizade cordial, mas não posso deixar isso escapar. Se a mãe dele não ensinou a ser delicado com as mulheres, quem sabe eu posso ajudar. Sem ressentimentos.

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Ou piadinhas.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Azul


"As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis: Elas desejam ser olhadas de azul - Que nem uma criança que você olha de ave."
Manoel de Barros

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sobre a vida e seus desencontros

Comecei a ler hoje o livro Vergonha Dos Pés de Fernanda Young e estou achando tudo ótimo até onde eu li( pág 50). O melhor de tudo é que além de ser um livro delicioso encontrei nele algumas coisas que podem explicar bem certas coisitas da vida e seus desencontros. Não que a Fernanda seja quase uma guru ou sei lá o que, mas ela conseguiu resumir nesse pedacinho o que eu fiquei tentando dizer pra mim mesma e para quem eu devia explicar mas não consegui.

“Quantas vezes é possível perder algo ou alguém por um simples mal-entendido? Quantas e quantas vezes a palavras não serve para nada, ou pior, presta-se apenas para piorar o estado das coisas? Não que o silêncio seja esclarecedor. O silêncio, num rosto inexpressivo, é um túmulo. Por uma fração de segundos, as coisas tomam rumos inexatos. Perde-se o fio da meada. Seria possível salvar vidas se esses “frames” pudessem ser revistos. O tempo não volta. Quanta obviedade! O fato é que a compreensão dos fatos está sempre sujeita a erros tolos, que deformam o decorrer da história." Pág 38
Fernanda Young - Vergonha Dos Pés

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